Por que o valor do imóvel vira ponto sensível no inventário
Inventário não é apenas uma etapa burocrática. Quando existe imóvel no patrimônio, o valor atribuído a esse bem pode influenciar partilha, negociação entre herdeiros, pagamento de tributos, venda futura e até a forma como a família entende o patrimônio recebido. Por isso, um número mal explicado costuma gerar insegurança: alguém acha caro demais, outro acha barato demais, outro lembra de uma venda no bairro e outro compara com um anúncio que talvez nem represente o mercado real.
O problema é que imóvel não tem preço de prateleira. Dois apartamentos no mesmo prédio podem ter valores diferentes por causa de posição solar, vista, vaga, andar, conservação, reforma, mobília, documentação, forma de pagamento e urgência da venda. Em casas e terrenos, a variação pode ser ainda maior, porque entram metragem, testada, aproveitamento, zoneamento, topografia, padrão construtivo e liquidez da região.
É por isso que a avaliação pericial de inventário precisa sair do campo do palpite. O ideal é construir uma justificativa compreensível: qual imóvel foi analisado, quais comparáveis foram considerados, quais fatores aumentam ou reduzem o valor e qual data de referência está sendo usada. Quanto mais claro for o raciocínio, menor a chance de discussão desnecessária entre os envolvidos.